Casa de Pedra disponibiliza o DRY-TOOLING para seus alunos.

Cristiano Baran testando os novos brinquedos na Casa de Pedra.

Cristiano Baran testando os novos brinquedos na Casa de Pedra. Foto: Fernando Lessa

DRY TOOLING – Uso de piquetas e crampons (Tooling) para escalada, onde não há presença de gelo (Dry).

A evolução do “dry tooling” moderno começou na década de 90 com o alpinista britânico Stevie Haston na Itália, assim como Jeff Lowe no Canadá e Estados Unidos. Vias mistas de Gelo e Rocha como: “Welcome to The Machine” e “Octopussy” M8, marcaram a elevação do grau de dificuldade destas vias.

Inicialmente o “dry tooling” era usado para começar vias onde o gelo não tocava o chão. Nas vias mistas o “dry tooling” também é usado para superar trechos onde não há presença de gelo; desta forma, munidos de piquetas e crampons, o escalador utiliza destas ferramentas para progredir em terreno rochoso.

Indoor Dry Tooling – Escalada em ambiente artificial (Indoor) utilizando as ferramentas (Tools) da escalada em gelo.

Marco Nalon fazendo o Dry Tooling na Casa de Pedra.

Marco Nalon fazendo o Dry Tooling na Casa de Pedra. Foto: Fernando Lessa

Escalar as paredes de uma academia utilizando piquetas para escalada em gelo já vem sendo praticado há muitos anos como forma de criar, manter ou aprimorar as técnicas e resistência física específicas para esta modalidade. No entanto a utilização destes instrumentos cortantes e pontiagudos, sempre foram um entrave, pois além de machucar o próprio usuário, estragam a parede e agarras inviabilizando esta prática no ambiente indoor.

Apaixonado pela escalada em todas suas formas, desde a inauguração da Casa de Pedra em 1998, sempre busquei uma alternativa para que pudéssemos treinar a modalidade.

Algumas academias na Europa e Japão possuem verdadeiras câmaras frigoríficas verticais com paredes de gelo real, mas obviamente sem a menor condição de tornar-se viável em terras brasileiras.

Visitando então a feira Outdoor Retailler por volta de 2004 presenciei o lançamento de placas de uma espécie de espuma de poliuretano com uma densidade específica que podia-se cravar as piquetas e crampons e evoluir pela parede. Cheguei na época a escalar numa parede de testes na feira, mas o alto custo das placas, novamente inviabilizou qualquer tentativa de criar aqui no Brasil uma parede para a modalidade.

Até que este ano, vagando pela internet, encontrei a Furnace Industries, uma empresa americana sediada em Nova Iorque que recentemente colocou no mercado o moderno “Dry Ice” tools.

Desta forma entrei em contato com o fabricante e aproveitando uma viagem que realizei para Nova Iorque, trouxe recentemente 3 pares para testes na Casa de Pedra.

O “Dry Ice” funciona basicamente como uma piqueta de escalada em gelo, porém no lugar da ponta metálica, possui uma alça de borracha dura que “abraça” as agarras da parede. A movimentação e a mecânica da escalada é muito similar à da escalada mista ou gelo, porém sem os riscos de se machucar com as pontas metálicas das piquetas, de furar a parede ou derrubar as piquetas sobre outros escaladores.

Quais são as vantagens do “Dry Tooling”?

Com o “dry tooling” você poderá aprimorar sua técnica e resistência para a prática da escalada em gelo ou mista. A modalidade também visa o fortalecimento da “pegada” nas “piquetas”, bem como aumento da resistência e potência dos membros superiores em travamentos e puxadas longas típicas da escalada em gelo.

Quem pode praticar o “Dry Tooling”?

Independente de você já ter ou não escalado em gelo, qualquer um pode praticar o “dry tooling” para aprimorar sua técnica e resistência, ou apenas experimentar essa nova sensação de escalar de uma forma diferente e igualmente divertida.

O lançamento oficial do DRY TOOLING na Casa de Pedra foi feito nesta última segunda feira 25/11 com a presença de alunos e convidados que tiveram a oportunidade de experimentar as piquetas DRY-ICE.

“Subir com o Dry-Ice é um treino muito mais forte do que usar piqueta no gelo, pois a força fica concentrada nos braços (no gelo você tem a ajuda dos crampons fincados, para equilibrar). Eu não consegui chegar no final de uma via, pegando em todas as agarras! Nunca tinha ficado tão tijolada. Acho que o pessoal vai viciar quando descobrir a potência desse treino!”  (Marilin Novak)

“A primeira impressão que voce tem é que vai ser fácil mas logo nos primeiros movimentos voce descobre que vai tijolar mais do que escalando, e que o posicionamento do corpo e pés também tem que ser ajustado ao equipamento” (Marco Nalon)

 “Num primeiro momento, temos a impressão que a escalada será simples, apenas laçando as agarras de qualquer jeito; porém a escalada mostrou-se extremamente técnica, exigindo bastante posicionamento corporal e diversas trocas de mãos nas piquetas, fazendo a escalada um grande jogo de estratégia”. (Alê Silva)

“Fui só para dar uma olhada e acabei experimentando… De tênis mesmo. Foi super divertido! Ultra tijolante e, ao mesmo tempo, delicado exigente em equilíbrio e atenção. Adorei!” (Rosita Belinky)

Os piolets “Dry Ice” estarão disponíveis na Casa de Pedra a partir do dia 02/12.

Boas escaladas,

Alê Silva.

Alê Silva com os DRY ICE.

Alê Silva com os DRY ICE. Foto: Fernando Lessa

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Uma resposta para “Casa de Pedra disponibiliza o DRY-TOOLING para seus alunos.

  1. Aplaudo de pé a novidade da Casa de Pedra. Sempre fui muito crítico à academia de escalada (pelo menos as poucas que eu conheço) pois não permite o treinamento de nenhuma outra técnica vertical que não seja o top-rope ou guiada. Lamento muito este fato pois o mundo vertical é tão mais abrangente que isso: ascensão, resgate, troca de via, rapel, ancoragem, escalada móvel etc. A academia me parece o ambiente perfeito para o aprendizado e treinamento dessas técnicas, mas lamentavelmente não o é. É claro que não é possível (que não é responsável) permitir à qualquer um que chegue à academia e faça o que quiser na parede: é necessária a contratação de monitores com experiência e muita atenção para poder prevenir e ajudar aqueles que escolhem fazer técnicas mais exóticas. Será que há quem consuma este serviço? Na dúvida, fiquemos com o topo rope, a guiada, e graças à Deus, agora o dry tooling.

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