Voltando a Torres Del Paine

Parque TORRES DEL PAINE

Quando estive em Torres Del Paine pela primeira vez em 2006 tudo era uma incógnita. Como decidimos viajar em cima da hora, toda a preparação e informações sobre o trekking tiveram que ser resolvidos em apenas 2 dias. Foi uma correria só, compramos os mantimentos, os equipos que faltavam, e chegamos com a cara e a coragem na portaria de Laguna Amarga. Lá fomos nós para os 8 dias de trekking ao  redor do parque, o famoso Circuito Grande de Paine!

Dentre tantas dúvidas sobre o trekking eu tinha apenas duas certezas: uma que o lugar era fantástico; outra, que passaríamos por maus bocados!

E não é que acertei em cheio! Sem dúvida Paine é um dos lugares mais lindos que já visitei, onde se alternam savanas, florestas, campos de altitude e glaciares com as majestodas torres emoldurando a paisagem! E como já previa a minha segunda “certeza”, passamos por maus bocados!

Lembro-me como se fosse ontem eu, a Jan e o Edu descendo do ônibus já todos encapotados de calça e anoraks debaixo de um dilúvio. Nada como começar um trekking já completamente ensopado, situação essa que se arrastou pelos primeiros 3 dias e 3 noites… Mas como eu sempre digo: que graça teria contar essa história se tudo tivesse sido só flores? Muito mais legal, agora que estou sentado no quentinho de casa, contar o perrengue, de caminhar por 3 dias absolutamente ensopados. Montar e desmontar barraca debaixo de chuva. Cozinhar e “ir ao banheiro” chovendo. Isso sem falar nas tais das TORRES… Onde meu Deus estavam essas tais de Torres Del Paine que só fomos enxergar no quarto dia de trekking!

Pois é, mas as vezes tenho a impressão que são essas roubadas que me fazem ser tão apaixonado pelas montanhas! Se desse tudo certo, quentinho, seco e “bonitinho”, acho que não teria tanta graça!

E além do mais, pra que a gente gasta tanto dinheiro com botas impermeáveis, segunda pele, jaquetas de polartec, meias de coolmax, anoraks de goretex e tantas outras coisas se for pra ficar no quentinho? Bermudas, camiseta e havaianas eu uso é na praia!

Bem, mas pra não dizer que foi só amargura, no quarto dia de caminhada ao fazer o famoso Passo John Gardner, pegamos uma boa e revigorante nevasca, seguida de um sol maravilhoso que abriu especialmente para que pudéssemos avistar o Galaciar Grey com toda sua imponência e infinidade de tons azulados. Foi então pela primeira vez que avistamos as tão esperadas TORRES DEL PAINE, as quais nos receberam num tom amarelado, refletindo o sol de fim de tarde, para nos recompensar os 3 dias de sofrimento! Sem dúvida uma sensação indescritível e que nos fez parecer mais vivos e especiais!

Bom, o resto da viagem, como de praxe no clima patagônico, alternou entre dias de sol, ventos fortes e viradas de tempo abruptas, mas felizmente chuvas torrenciais como nos primeiros dias não pegamos mais.

Foi exatamente neste quarto dia de caminhada que cruzamos com um grupo de trekkers dinamarqueses ou suecos, não me lembro exatamente; que ao contrário de nós, que estávamos com praticamente uma “casa nas costas”, mochilas carregadíssimas e pesados;  passou por nós como foguetes, praticamente correndo na trilha com mochilas de ataque super pequenas, o que me chamou bastante a atenção. Ao conversar por alguns minutos eles nos explicaram que estavam fazendo o mesmo circuito que é feito tradicionalmente em 8 dias, em apenas 4 dias… Desde então, no momento que voltei pra casa pensei, um dia se voltar a Paine levarei o mínimo necessário e vou farei a volta também em 4 dias!

Programação diária pra a volta em 4 dias

Pois essa idéia adormeceu por 6 anos na minha cabeça e agora, pra ser mais exato na próxima segunda feira 28/11, embarco novamente pra Punta Arenas onde pretendo fazer com mais 4 colegas o Circuito Grande de Paine em apenas 4 dias. Claro que desta vez tudo foi pensado em economia de espaço e principalmente peso. Como já postei aqui no PRAZER DAS PRELIMINARES, preparar a viagem pode ser tão prazeroso quanto a viagem em si. Organizar, preparar, separar equipamentos, escolher a estratégia mais adequada para atingir esse objetivo, que é diminuir pela metade o tempo gasto na volta, é além de desafiador, um grande prazer!

São essas viagens que me dão força para continuar trabalhando,  me faz superar as dificuldades e problemas do dia a dia, para que no fim eu possa curtir a natureza e as montanhas. Afinal quem quer guardar na lembrança os pepinos do escritório?

Ainda antes de viajar farei também um POST contando todos os meus truques e logicamente os equipamentos usados para que eu possa ir realmente leve na viagem, e espero assim poder voltar e contar para todos vocês as maravilhas desse paraíso que é TORRES DEL PAINE!

Boa semana e boas caminhadas… Alê Silva.

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5 Respostas para “Voltando a Torres Del Paine

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