Escalada Clássica
Colaboração: Lucy Nunes
Decidimos escalar o Grossfurkahorn pela aresta.
Nivel de dificuldade 4 a 5 muito exposto com características alpinas.
Isto significa começar a escalada a 2860 m de altitude, caminhar 2 horas em terreno com pedras soltas e muito acidentado, atravessar geleira para chegar no começo do paredão que tem 370 m de altura. As poucas chapeletas (que so existem em 2 das muitas cordadas) ficam bem distantes uma das outras, é necessário fazer ancoragem com ‘friends’ e ‘nuts’ ou usar proteçoes naturais.
Eramos 4. Um amigo Noruegues , Audun, outro Sueco Bjorn, eu Lucy e meu marido Celso. Os 3 homens muito acostumados a fazer escaladas alpinas. Eu mais acostumada a fazer escalada esportiva.
Olhamos o croqui e pensamos: ‘esta via é fácil, a gente faz rápido’. Começamos a caminhada as 10:30hs (nossos amigos perderam a conexão do trem e se atrasaram).
Chegamos no paredão as 12:00hs. Era tarde para começar.
Estava frio, pois a primeira parte da escalada é na sombra. Depois de uma hora , o sol estava radiante, pegava toda a parede e observávamos aquele visual maravilhoso enquanto fazíamos a segurança um do outro.
As vezes, nao era fácil ‘achar’ a via, mesmo tendo o croqui. Isto tomava muito tempo.
Esta escalada ‘fácil’, tomou mais tempo do que prevíamos. Nao tinha nenhum lugar para rapelar e voltar. A única maneira de rapelar era chegar ao cume, de la rapelar 2 vezes em paradas prontas para chegar no pequeno caminho, também muito exposto e acabar de descer os 320 m que faltariam.
Na ultima cordada, o Celso começou a guiar, eu estava sentada na parada. A parada fica num pequeno ápice de pedra que cabe somente você. Para cada um dos lados é um abismo. Escutavamos os gritos dos nossos amigos que ja tinham chegado ao cume e se preparavam para o rapel. O cume é pequeno, cabem 2 pessoas muito apertadas.
O Celso colocou a primeira costura. No momento em que ele colocou a segunda costura, todo o bloco de pedra do tamanho de uma porta, onde estava a agarra na qual ele se segurava, ‘descolou’ da parede e caiu por cima dele. Como eu o estava segurando na parada, a força da corda o puxou para cima de mim e o restante da pedra caiu para o lado oposto ao lado que ele caiu. Vi o Celso voando uns 4 m para baixo e pensei: vamos morrer. Nossos amigos ouviram o acidente e nos esperaram no final do primeiro rapel, que terminava no gelo.
Ja era noite.
Nao tínhamos headlamp e tb nao tínhamos agua o suficiente nem cobertor térmico. Por sorte o Audun tinha uma headlamp que usamos em 4, mas estava com pouca pilha.
Estava tao escuro que nao achávamos a parada para fazer o segundo rapel. Perdemos horas tentando achar o caminho de volta.
Chegamos no carro as 5:30h do dia seguinte. Foram 19 horas entre escalada e caminhada.
Cometemos vários erros. Aprendemos e reaprendemos coisas que ja sabíamos.
Nunca comece uma escalada, por mais fácil que você ache que é, se é tarde.
Nunca deixe de levar headlamp e cobertor térmico (fiz tantas corridas de aventura, esqueci de algumas lições básicas) e material para primeiros socorros.
Tenha sempre mais agua e comida do que você acha que vai precisar.
Chame a REGA ( www.rega.ch/ ) se você REALMENTE precisar. Nao arrisque a vida destes profissionais para te tirar de situações que você sabe ter competência para sair sozinho.
Esta escalada, esta região é muito bonita e vale a pena ser visitada. Tem uma cabana para os escaladores relativamente perto das vias de escalada. Tem um hotel mais confortável e mais distante para quem vai com a família, pois a região é famosa pelas trilhas de caminhada.
Tem todos os níveis de escalada, desde escalada esportiva a escaladas mais longas com varias cordadas.
A via que fizemos é maravilhosa e dela , por ser a mais alta, você tem todo o visual da cadeia de montanhas de granito que rodeia o Furkapass.
A noite, sem lua, realçava o brilho das estrelas e estas realçavam a silhueta das montanhas. Quando estava muito difícil, durante a madrugada , parávamos para admirar aquele ceu maravilhoso, longe das luzes da cidade, o silencio interrompido pelo barulho da agua que descongelava da geleira e corria pelo pequeno riacho.
Esqueciamos as dores e nos distraiamos com a majestosa beleza que sao as montanhas dos Alpes Suiços.
Desejo boas escaladas e aventuras a todos.
Lucy Nunes é apaixonada pela natureza e esportes de aventura. Começou mergulhando em 1980 e conheceu a escalada na Casa de Pedra em 1998. Já partcipou de diversas corridas de aventura, inclusive um EMA (Expedição Mata Atlântica) de 500km. Casada com um escalador, mudou-se para a Suíça onde ainda hoje, com 50 anos de idade, continua na ativa nos esportes de montanha e aventura.
Toda vez que alguém me pergunta se pratico regularmente algum esporte, reluto em dizer que sou escalador… Posso até dizer que nado, corro e ando de bike, o que faço até que com bastante frequência, e já me caracterizaria como esportista.
Mas com a escalada é diferente. Não sei explicar bem o porquê, mas nestes quase 20 anos subindo montanhas pelo mundo afora ainda não achei a forma de encaixar o montanhismo como prática esportiva, e vou explicar…
Geralmente amigos (não escaladores) ou simplesmente pessoas que encontro em palestras ou eventos tendem a confundir o montanhismo de forma geral. Uns o chamam de Alpinismo, outros de Escalada, outros simplesmente acham que subimos com picaretas e sapatos de prego em qualquer morro por aí.
A imagem é até compreensível, uma vez que o montanhismo aparece em desenhos animados ou filmes de Hollywood de forma sempre bem caricata, sem qualquer representação da verdade pela qual nós montanhistas passamos.
Entenda o montanhismo como CICLISMO. É o nome genérico que abrange todas as “subcategorias” ou “modalidades”. No caso do ciclismo: o Mountain Bike, Speed, Free Style, Contra-relógio, bici-cross, etc. No montanhismo: escalada esportiva, clássica, boulder, artificial, indoor, gelo, mista, alpina, solo, ou alta montanha. Cada uma desta subdivisões do Montanhismo possui praticantes com perfis distintos, envolvem riscos e equipamentos que podem variar completamente, e podem durar de poucos minutos até meses, além de terem dificuldades físicas e psicológicas completamente diferentes.
Para realmente entender o montanhismo é preciso praticá-lo. Só explicar em palavras o prazer de chegar ao cume de uma montanha ou ao topo de uma parede rochosa, depois de tanta dor, força e sacrifício é realmente difícil.
Quando eu digo que o montanhismo é um “esporte” diferente, digo “esporte” simplesmente pela falta de uma palavra que o defina. Muitas vezes nem acho que esporte seja realmente a melhor definição da atividade:
- Esporte tem regras. Montanhismo tem ética.
- Esporte tem quadra, pista, campo, raia. Montanhismo tem o mundo a ser descoberto.
- Esporte tem plateia. Montanhismo tem a natureza ao seu redor.
- Esporte tem adversário. No montanhismo seu maior adversário é você mesmo.
Montanhismo não se pratica, se vive. Você começa a viver o montanhismo ainda em casa ou no trabalho, programando a próxima viagem ou expedição. Em seguida você treina e planeja a estratégia por dias, semanas, as vezes por meses. E então você desfruta lugares remotos, conhece novas culturas, e por fim escala em lindas paisagens numa completa harmonia com a natureza ao seu redor, em busca de auto-superação e conhecimento do seu corpo e limite.
E como se tudo isso já não fosse o bastante, no montanhismo ainda temos a adrenalina! Para mim apenas um detalhe que nos faz dormir melhor no fim do dia, como se fosse um bônus. Mas como disse certa vez um grande amigo – Ao contrário de um salto de paraquedas, de uma descida de snowboard ou de um salto de bungee-jump, na escalada a adrenalina não é injetada de uma só vez, ela goteja pouco a pouco durante horas, nos mantendo atentos e alertas a qualquer risco, nos mantendo vivos na parede. Se existe um esporte o qual eu faria um paralelo com o montanhismo, talvez seja o surfe de ondas gigantes. Em ambos o praticante está em busca de novos desafios, em contato com uma natureza exuberante, tentando vencer o seu medo e o desafio do mar e montanhas. Basta respeitar a natureza e seus próprios limites para ser um vitorioso. Mas destrinchando então um pouco desta salada que é o Montanhismo, aqui vão algumas das principais modalidades, se é que podemos assim definí-las:
BOULDER – É a escalada de pequenos blocos de pedra, normalmente de não mais que 5 metros de altura, protegida apenas de um pequeno colchão chamado de CRASH PAD para amortecer suas quedas. Se praticado com um parceiro, este pode fazer a sua “segurança de corpo”, lhe auxiliando a cair corretamente neste colchão. Geralmente são escaladas curtas e bem extenuantes, com movimentos difíceis e precisos. É uma modalidade muito praticada por escaladores
mais jovens. Equipamentos usados – Um par de sapatilhas, carbonado de magnésio para secar as mãos, crash pad para segurança.
ESCALADA ESPORTIVA – São escaladas curtas, variam entre 15 a 50 metros, porém já se faz necessário o uso de equipamentos de proteção como cordas, cadeirinhas e mosquetões. Busca-se sempre a maior dificuldade na progressão, com paredes bastante inclinadas, negativos ou tetos. Geralmente são vias bem protegidas onde há possibilidade de pequenas quedas mas que não ponham em grande risco o praticante. A escalada esportiva também pode ser praticada INDOOR, ou seja, em academias onde as paredes e vias de escalada são construídas para representar as dificuldades encontradas na natureza. A escalada indoor é sem dúvida alguma a melhore mais segura opção de entrada no montanhismo.
ESCALADA CLÁSSICA ou TRADICIONAL – São escaladas mais longas, geralmente entre 100 e 400 metros, onde pode-se gastar de algumas horas até um dia inteiro. O grau de exposição ao risco já é maior e os escaladores devem ser bem mais experientes. O perfil do escalador clássico já é um pouco mais velho e o desafio deixa de ser apenas físico e passa a ser mais mental. A graduação de dificuldade deixa de ser o foco na escalada.
BIG WALL / ARTIFICIAL – A escalada em BIG WALL, como o próprio nome diz, é a de grandes paredes. Pode chegar a 800, 1500m de altura. Sua duração vai de pouco mais de um dia até 3 ou 4 facilmente. Envolve uma logística complexa de auto-suficiência na parede, como dormir e cozinhar. Geralmente no Big Wall usa-se também uma técnica chamada de ESCALADA ARTIFICIA L, ou seja, o escalador ao invés de usar as mãos e pés direto nas saliências e fendas da rocha para progressão, pode usar também ganchos e pequenas peças metálicas para se fixar e seguir na parede. A quantidade e variedade de equipamentos utilizados no BIG WALL é sem dúvida uma das maiores.
ESCALADA EM GELO – A escalada em gelo como o próprio nome diz não é feita mais diretamente sobre a rocha e sim sobre o gelo. Ela aproxima-se mais da escalada clássica quanto ao perfil do praticante e grau de exposição ao risco. É a escalada onde usa-se as tais picaretas e pregos nos sapatos, tantas vezes caracterizadas em desenhos e filmes. As picaretas são chamados de Piolets e os pregos nas botas de Crampons.
ALTA MONTANHA – Alta montanha são realmente as grandes expedições para picos nevados normalmente acima de 5000m de altitude, culminando no ponto máximo de 8848m do Mt.Everest. Na escalada de alta montanha o montanhista deve preferencialmente ter experiência em todas as modalidades anteriores, para saber lidar com trechos de rocha e gelo. Deve também ter grande domínio psicológico, além de resistência física e emocional. Na alta montanha estão os montanhistas mais velhos e experientes, onde a capacidade de lidar com situações adversas e a perseverança na busca de seus objetivos sobressaem à força muscular dos mais jovens.
Se você se interessou pela escalada, a melhor forma de começar com segurança é procurar uma academia. Além de receber instrução dos procedimentos básicos, você poderá locar todo seu equipamentos e terá acompanhamento de monitores especializados. Em São Paulo, a Casa de Pedra no bairro de Perdizes, é sem dúvida a melhor opção para que você dê seus primeiros passos com toda a segurança necessária: www.casadepedra.com.br/escalada
Be safe, be Cool… Alê Silva.
Alexandre Silva, 38 anos, é montanhista e proprietário da Casa de Pedra. Iniciou suas atividades de montanha em agosto de 1993 enquanto cursava Arquitetura e Urbanismo na FAUUSP. Foi campeão paulista de escalada em 1996 e brasileiro, na modalidade velocidade, em 1997. Já escalou em países como França, Espanha, Itália, Bolívia, Peru, Chile, Argentina, Nepal, EUA e Canadá, e abriu novas vias de escalada em rocha, principalmente no estado de São Paulo. Atualmente dá cursos, workshops e escreve matérias e colunas para mídias do segmento outdoor. alesilva@casadepedra.com.br
Dando continuidade ao vídeos onde falo sobre segurança e técnicas na escalada, este último fim de semana filmei no Bauzinho em São Bento do Sapucaí uma dica de segurança a respeito do uso de “borrachinhas” ou elásticos para prender seu mosquetão no auto-seguro. A dica é simples, fácil de entender mas extremamente importante para que você não corra riscos desnecessários.
Espero que seja útil para todos, boas escaladas. Alê Silva.
Sexta feira, quase meia noite e acabo de chegar de um jantar com amigos. Por mais pressa que estivéssemos, o bom papo nos segurou no restaurante até tarde e agora não adianta mais chorar o pouco tempo de sono pela frente.
Corro pro quartinho da bagunça, pego a mochila no armário e começo a velha e sistemática rotina… Para onde vamos mesmo? Ah… fim de semana na Pedra do Baú. Combinei com a galera que desta vez vamos fazer um circuito clássico. Apesar de exaustivamente repetido, ainda meu preferido.
Vamos começar com a “V de Vingança”, somos quatro e acho que vou fazer dupla com o Minhoca. Como vamos subir à Francesa (em simultâneo) preciso de um parceiro em que confie, afinal enquanto guio a via, 30 metros de corda depois, ele sobe limpando. Nossa idéia é não nos encontrarmos em nenhum momento, portanto vou precisar levar muuuitas costuras. Acho que umas 40 está bom, se faltar pego umas com ele. Putis…!!! Nós 4 no rapel vai ser demorado, melhor a gente ir pela trilha que sai atrás da barraquinha de quitutes. Pausa, hum… Se bem que a trilha também é mó roubada. Sei lá, depois a gente resolve o que faz…
Bem, se tudo der certo, se os malditos barimbondos não estiverem muito ferozes na fenda da primeira enfiada, e se não chover; acho que acabamos a via em uma hora e meia e partimos pra “Corneto”. Qual eram mesmos os Camalots que eu uso na fenda lá em cima? Acho que um #2 e um #3, ou era o #2 e o #1,1/2 ? Na dúvida acho melhor levar todos, do #1 ao #3, melhor carregar um pesinho extra, do que usar aquelas chapas velhas que já estão fazendo hora extra.
Depois de um rapelzinho rápido, podemos entrar na “Tudo Bem” para arrematar a parte da manhã. Aproveito e uso os mesmos móveis que vão estar na mão depois da Corneto.
Rápida pausa para um lanchinho… hum… barrinhas, bolachas Passa Tempo e Gatorade em Pó, herança do Ranking Paulista do ano passado, que sobrou aos montes e não se encontra mais nos supermecados. Na embalagem tá dizendo que venceu há uns 6 meses, matar acho que não mata né?
Bem, a essa altura poderemos partir pra algo mais hard… Será que o Cotton e o Lango vão estar bem na “V”? Com menos experiência e escalando no método tradicional, na melhor das hipóteses, estarão terminando a via agora. Melhor considerar uma meia horinha pra checar o andamento da dupla…he he he
Voltando à programação, vamos aproveitar a chegada no cume do Bauzinho para rapelar até a parada de baixo e escalar a “Rosita Go Home”… Putz, to meio fora de forma, acho que vou passar o maior veneno pra virar aquele maldito tetinho.
Se fizermos tudo isso mesmo, o que vier depois é lucro. Preciso só separar uma meia dúzia de mosquetões avulsos, fitas para parada e auto-seguro, um par de cordins, ATC, sapatilhas, magnésio… Caramba, já é tarde mas vou ligar pro Minhoca.
– Minhoca, você leva a sua corda? A minha tá meio velhinha, com as pontas cortadas já não tem os 60 metros originais… Ok. O minhoca vai levar a corda dele zero bala.
Enfim, tudo separado, equipos checados, dromedário, saco de corda, comidinhas, anorak e headlamp. Nunca se sabe – no Baú, a chuva vem do outro lado e te pega de surpresa. Fora as roubadas que acabam no escuro. É sempre bom estar previnido.
Meu Deus do céu… Já são duas horas da manhã e combinamos de sair às seis. Acho que vai rolar um revezamento na direção e parada no Leite na Pista pra um café reforçado antes de subir a serra.
Tantos anos, tantas viagens e essa correria na véspera é sempre a mesma, eu esqueço da vida e o tempo voa noite a dentro. Parece que agente não aprende, mas na verdade acho que a escalada é um dos poucos esportes onde os preparativos podem ser tão prazerosos quanto a pratica em si.
Como é gostoso preparar a próxima viagem!
Alê Silva.
Publicado originalmente em 18/04/2006
Já faz mais de dois anos que a escalada do Dedo de Deus ficou entalada na minha garganta. (veja a reportagem abaixo deste post). Sem muita dificuldade técnica mas considerada um dos grandes marcos do montanhismo brasileiro, a escalada do Dedo de Deus é sem dúvida uma das mais bonitas da região e justamente por isso, minha vontade de voltar lá é imensa, tanto pela curtição do ambiente lindíssimo como pelo gostinho de cume que ficou faltando. Pois cá estou eu me programando para voltar lá e já aproveito para fazer também a Agulha do Diabo, que pelas estórias que ouça deve ser outra escalada fantástica!
ESPORTE EXTREMO – ESCALADA DO DEDO DE DEUS (23/03/2009) – Estávamos eu, Makoto, o repórter da Rede Globo Clayton Conservani e o Base Jumper Sabiá prontos as 7 da matina do dia 23 de março para a escalada do Dedo de Deus em Teresópolis, Rio de Janeiro.
Nossa intenção era escalar a via Maria Cebola, um etinerário tecnicamente fácil de 3º grau, porém bem exaustivo, o qual marcou historicamente o início da escalada técnica no Brasil em 1912. A previsão era de chegada por volta das 13h e o Sabiá faria um salto de Wing-Suit saindo do cume.
Equipamento técnico de escalada, duas cordas, comida, muita água, câmeras, microfones, câmeras de capacete, wing-suit, paraquedas, etc… Vocês não imaginam como estávamos carregados e tudo isso “atrapalhou” de certa forma nossa progressão.
A via constitui-se de muito “trepa mato”, “escalaminhada”, trechos longos em cabos e aço e pra ser bem sincero, escalada mesmo, aquela de rocha pura, basicamente apenas já perto do cume.
Eu já esperava um progressão lenta, porém a trilha muito extenuante, com paradas frequentes para fazer imagens, gravações de audio e comunicação com a equipe na base, realmente nos retardou mais do que o esperado. Desta forma aquela previsão de “tempo bom” não durou muito e a entrada de mal tempo, típico desta época do ano, nos surpreendeu com uma forte tormenta já a pouco metros do cume.
Apesar da quantidade de água e vento, a tempestade não foi nenhum bicho de sete cabeças, nossa preocupação maior era descer em segurança os dois integrantes de menor experiência. Claro que estávamos empulerados num para-raio natural, portanto não era muito confortável nossa situação, mas nada que uma descida rápida e consciente não resolvesse…
Enfim, tirando um pouco do exagero típico na “dramatização” da Rede Globo, a escalada foi um show e ficou o gostinho de voltar para fazer cume numa próxima investida. De qualquer forma, e apesar de não completarmos a missão, a reportagem foi ao ar no Esporte Espetacular deste domingo e vale apena conferir as imagens lindas deste cartão postal carioca!
Um grande abraço a todos os amigos que ligaram, mandaram mensagens e cumprimentos neste dia! Alê Silva.















